terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Um substituto abstrato para um poema

Anelise Freitas

(dedicado aos que tem a raiva como um dom
aos poetinhas de plantão
aos menores religiosos da palavra
ao notório saber do nada)



escrever a poesia como o guitarrista do rage against
the machine em um show do rage against
the machine como a raiva e o dom
da raiva como o guitarrista
dialogando com o amplificador
a sua raiva como um dom

você achando que eu trabalho
pra você como a raiva
o meu dom mas não

a estrela e todas as estrelas
mal compreendidas menos
aquelas que ficam no peito
como os livros que alguém já leu
as estrelas e a luz quando
se apagam um partido
como uma religião ou a raiva
a raiva o meu dom

como um bis pra dizer
matando em nome
em nome da força
dos que trabalham e matam
em nome de estrelas
mortas
enquanto você continua fazendo o que
eles mandam bebendo de você
no ritual de posse
da estrela vermelha ou azul
meu sangue preto e a minha raiva
meu dom anti-você
como o suor do guitarrista
pingando como a fé
e você rezando ante
meu corpo preto pra mim
meu corpo fechado pra você
você não
não me diz o que fazer

sábado, 10 de dezembro de 2016

LipogramAspiração

(Alexandre Faria)

                                     tinha uma
tinha uma
tinha uma
                                     tinha uma
nunca me esquecerei
tinha uma
tinha uma
                                     tinha uma

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Iconoclastas, II


Aquele que não pode ser nomeado
incômoda presença.

O que não pode ser dito
empurra goela abaixo.

Costura a boca
costura a boca do sapo.

Não reclame, trabalhe
não trabalhe, proteste.

O banqueiro não te decifra
mas te devora.

Ei, ainda não disse o meu nome
mas sei que te chamam Leviatã.






domingo, 4 de dezembro de 2016



buscamos uma palavra nova
as velhas se misturam no balde e
a multicor que escoa nos lava os
pés já agora e dispersam


eu também ouço disparos


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Ata do encontro do dia 2 de dezembro de 2016

Cada participante leu seu poema composto para a Atividade 1. Todos fizeram considerações acerca do texto do colega. Ao final, "jogamos" os três poemas da série "Quadrilha: três modos de jogar", do poeta Dimitri BR, de seu livro Ocupa. Inspirados neste "jogo", propusemos a Atividade 2 para ser postada neste blog.

Estavam presentes:

1. Amanda Cordeiro Quintella
2. Ana Paula El-Jaick
3. Anderson Pires
4. Anelise de Freitas
5. Dimitri BR
6. Engelbert Campos da Costa
7. Fernanda Vivacqua B.
8. Henrique Silva Moraes

Atividade 2

Pegar um poema - pode ser do blog (ou não), pode ser próprio (ou não) - e fazer do poema escolhido um jogo.
Uma condição deve ser respeitada para tal: deve-se suprimir uma palavra do poema.

Aterrissagem

estivemos ouvindo o ranger
das balanças enferrujadas
estivemos lustrando o lazer
sem pensar nas vendas e espadas

mas jusqu'ici tout va bien
mas jusqu'ici tout va bien

estivemos ouvindo o barulho
metálico na noite vazia
soar atrasado de tempo espúrio

mas jusqu'ici tout va bien
mas jusqu'ici tout va bien




O TAO DA TURMA

a tal da greve
a tal da ocupa

contra [palavra proibida]
fora [termo censurado]

preencher lacunas
trincheiras na sala

a língua cala
o corpo fala



Classe de Palavras

Anelise Freitas

construir
sem verbos
a ação dos corpos

motivar o movimento
das mãos
em marcha e as vozes

como um assobio
ou um canto
e o desejo

a transformação como
palavra voz presença
daquilo que queremos
fora

OcupaçaoLetrasOcupacao

                                          Ana Paula El-Jaick

Palavra
do avesso
                arvalap
Mundo
do avesso
               mundo
Movimento
do avesso forma (do avesso)
seres disformes que falam a mesma língua
(porque do avesso)
das outras pessoas que remam contra a corrente
das outras pessoas
que,
por ora,
falam a mesma língua,
mas,
por ora,
não se entendem
(porque a palavra
o mundo
o avesso:


Atividade I

Sapos

Amanda Cordeiro Quintella

O que sabemos sobre a palavra sapo?
Pensamos em nojo,
Em bicho pegajoso
Que quem quer por perto tem motivo.
Quem quer por perto um sapo?

O que mais pensamos sobre o sapo?

Pula e gruda onde quer,
Geralmente esverdeado, cor de podre.

O que nos faz pensar em sapo?
No que o sapo nos faz pensar?

Sapo come mosca...

Se um sapo não se sente sapo
Como ele vê um outro sapo?
E como vê quem não é sapo?
E quem não é sapo e come mosca?

Sapo nem sabe quem nós somos
E queríamos nem saber
Mesmo assim ele lança veneno ao desconhecido.
Como o sapo te vê?

Não devemos subestimar o poder
De um sapo,
De uma palavra,
De modos de ver.

Um sapo pode não comer mosca,
Cuidado!!!!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016


Iconoclastas, I
Anderson Pires

O relógio no pulso, cidadão
rico
pobre
marca a mesma hora
inexata, o fuso de Brasília.
O tempo presente
minuto que passou
segundo que falta.

Ei, ainda não me apresentei,
mas sei que o teu nome é distúrbio.

                                                           (continua)


das datas marcadas e sobre os cavalos
nada mais há que engula suas pernas
animadas pelo passo firme

por onde se perfaz o encontro
vibra o timbre da respiração


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Ata do encontro de 30/11/2016

Proposta da Oficina em encontros presenciais todas as quartas e sextas das 10h às 12h. Criação do Blog; Definição com o uso exclusivo de substantivos. Proposta da atividade 1. Sugerimos a conexão com outras ocupações através do Blog.

Presentes:

  1. Alexandre Faria
  2. Amanda Quintella
  3. Anderson Pires
  4. André Monteiro
  5. Anelise Freitas
  6. Augusto Freitas Rezende
  7. Deborah Damasceno
  8. Fernanda Vivacqua
  9. Marcela Batista
  10. Rodrigo Machado
  11. Rodrigo Rocha
  12. Tainara Campos
Próximo encontro: 2/12, 10h, ala 1415. Trazer um notebook.

Atividade 1

Postar no Blog um texto de criação (escolha formal livre) sobre:
Criação Palavra Disparo

Lista de palavras vazias:
  • Metalinguagem
  • Luta
  • Golpe
  • Amor
  • Vida
  • Povo
  • Companheiro
  • Temer
  • União
  • Futuro