terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Um substituto abstrato para um poema

Anelise Freitas

(dedicado aos que tem a raiva como um dom
aos poetinhas de plantão
aos menores religiosos da palavra
ao notório saber do nada)



escrever a poesia como o guitarrista do rage against
the machine em um show do rage against
the machine como a raiva e o dom
da raiva como o guitarrista
dialogando com o amplificador
a sua raiva como um dom

você achando que eu trabalho
pra você como a raiva
o meu dom mas não

a estrela e todas as estrelas
mal compreendidas menos
aquelas que ficam no peito
como os livros que alguém já leu
as estrelas e a luz quando
se apagam um partido
como uma religião ou a raiva
a raiva o meu dom

como um bis pra dizer
matando em nome
em nome da força
dos que trabalham e matam
em nome de estrelas
mortas
enquanto você continua fazendo o que
eles mandam bebendo de você
no ritual de posse
da estrela vermelha ou azul
meu sangue preto e a minha raiva
meu dom anti-você
como o suor do guitarrista
pingando como a fé
e você rezando ante
meu corpo preto pra mim
meu corpo fechado pra você
você não
não me diz o que fazer

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